CDMA Technology
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Uma Abordagem Racional à Migração

por Perry M. LaForge
Diretor Executivo do Grupo de Desenvolvimento de CDMA

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A sabedoria popular diz que não se pode ter tudo o que se deseja e que, na verdade, é preciso fazer escolhas e negociar. Quando examinamos o que uma operadora pretende das soluções de terceira geração (3G), podemos afirmar que estamos diante de uma lista idealizada de solicitações, algo que não se consegue alcançar de modo fácil nem razoável. A lista de desejos de uma operadora inclui:

  • Soluções econômicas que se baseiem na infra-estrutura existente, preservando os investimentos
  • Maior capacidade de voz e velocidade de dados em uma só atualização e que possa ser implementada no espectro da segunda geração (2G)
  • Sistemas padronizados, compatibilidade retroativa e futura com a rede celular e fácil integração com outras redes e plataformas de dados
  • Implementação rápida em termos de disponibilidade no mercado e prazo de instalação
  • Flexibilidade de atualização conforme a demanda de mercado

Há, porém, uma solução 3G que realmente atende a todas estas solicitações - a solução CDMA2000. De fato, este é o único padrão 3G que tem todas as qualidades que as operadoras demandam para uma migração técnica e economicamente viável. Como o padrão CDMA2000 é uma evolução de um sistema existente, o cdmaOne, o nível de confiança das operadoras aumenta.

O padrão cdmaOne é conhecido pela sua capacidade de oferecer cobertura, voz clara e vantagens de capacidade em relação às demais tecnologias. Conforme mostrado nesta tabela, o padrão CDMA oferece atualmente às operadoras vantagens significativas em relação aos padrões TDMA e GSM. O padrão CDMA2000 vai aumentar estes benefícios na próxima geração. A primeira fase CDMA2000 (1X) oferece o dobro de capacidade e estará pronta para lançamento comercial no ano 2000. Operadoras de telefonia celular e de PCS, no mundo todo, poderão implantar esta solução 3G nas suas redes atuais. Não há necessidade de se adquirir novo espectro ou de ter espectro livre nas bandas existentes, para auferir estas e outras vantagens oferecidas pela 3a geração com o padrão CDMA2000.

É muito fácil ler esta última afirmação, sem perceber as suas implicações - alguns nem imaginam que outras soluções 3G exigem novo espectro. Sabendo-se que espectro é um recurso escasso e que há operadoras que pagaram somas enormes por este recurso, é de fundamental importância que o espectro 2G seja eficientemente usado, de modo a admitir um maior número de usuários e a viabilizar a próxima geração de serviços CDMA2000. Isto também garante às operadoras que migrarem que estas vão permanecer competitivas na próxima geração, por serem capazes de fornecer o mesmo leque de serviços das "novas" operadoras 3G, a custos mais baixos. Não faz sentido que as operadoras pioneiras na prestação de serviços de telefonia celular sejam penalizadas pelo fato de estarem no mercado atualmente. Em vista disso, o CDMA2000 foi projetado para derrubar tais barreiras e abrir para as operadoras 2G um caminho bem definido para o futuro.

Com o objetivo de garantir que todos os benefícios proporcionadas pela tecnologia CDMA2000 cheguem a todas as operadoras no mundo, o Projeto 2 de Parceria de Terceira Geração (3GPP2) está se desenvolvendo de modo a assegurar que os princípios de harmonização dos padrões 3G suportados pelas operadoras globais estejam refletidos nas normas. O grupo envolvido no 3GPP2 inclui a Associação de Indústrias e Empresas de Rádio (ARIB) do Japão, o Comitê de Tecnologia de Telecomunicações (TTC) do Japão, o grupo de Normas de Telecomunicações Celulares da China (CWTS), a Associação de Tecnologia de Telecomunicações (TTA) da Coréia e a Associação das Indústrias de Telecomunicações (TIA) dos Estados Unidos. Gerard Flynn da Bell Atlantic Mobile copresidiu a reunião de trabalho do 3GPP2 de setembro que reuniu 100 representantes da indústria de 15 países envolvidos na padronização do celular 3G. A reunião de trabalho se concentrou na identificação dos ganchos e extensões necessários para a operação do CDMA2000 em redes GSM. Flynn afirmou que estava "satisfeito pelo progresso real que estava se obtendo na reunião de trabalho devido ao conhecimento técnico e à seriedade dos participantes". A representatividade internacional no 3GPP2 e o trabalho de harmonização que está se fazendo comprovam o caráter global do padrão CDMA2000 e a sua importância no mercado de 3a geração.

As inovações na capacidade do 1X e seu tempo de chegada no mercado tornaram o produto igualmente atraente para as operadoras e os analistas do mercado. A transmissão de dados a alta velocidade e as capacidades de vanguarda que viabiliza podem impressionar bem nas discussões e nas promoções realizadas no setor, mas a decisão final de migração para a 3a geração sempre será financeira. Recentemente, em um artigo da publicação RCR abordando estratégias de migração, Tim Luke, analista global de equipamentos celulares da Lehman Brothers, analisou as vantagens do 1X. "O desafio está na capacidade", afirma. "A perspectiva de custo e o desempenho representam aspectos positivos para as operadoras 1X e CDMA. Esta é a razão por que estamos tão otimistas em relação ao padrão CDMA." No mesmo artigo, Jon Dorfman, consultor do The Strategis Group, atualmente envolvido em um estudo de detalhamento da viabilidade de todas as propostas tecnológicas, ponderou a favor do CDMA: "Eu acredito firmemente que CDMA seja uma alternativa mais viável a longo prazo do que GSM", disse Dorfman. "A razão principal é que o padrão CDMA fornece grande capacidade de voz, ao contrário do GSM EDGE. Quando as operadoras CDMA se atualizarem, elas poderão fazê-lo somente por motivos de capacidade de voz. Na visão delas, os dados vêm juntos gratuitamente. Na trajetória da GSM, porém, trata-se de um comprometimento que pende muito mais para o lado dos dados".

Maior capacidade de voz pode não fazer as manchetes com tanta facilidade quanto outros recursos de 3a geração, mas a realidade da telefonia celular é que capacidade de voz é o principal determinante para a adoção pioneira desta nova geração. No Japão, muitas vezes tido como o primeiro mercado do mundo a implementar a 3a geração, o fator determinante foi a capacidade de voz, para poder dar suporte a uma base de assinantes numerosa e crescente e não a largura de banda para aplicações avançadas de multimídia. Um outro ponto merecedor de destaque é que as primeiras operadoras a implementarem a 3a geração no Japão foram a DDI e a IDO. Estas operadoras já estão testando o padrão 1X em suas redes cdmaOne. A versão comercial estará disponível antes de qualquer outra solução 3G.

Os benefícios financeiros provêm das características do padrão CDMA2000 acima da associação entre a maior capacidade e a velocidade de dados, obtidas em uma única atualização, assim como por ser o primeiro a chegar no mercado. Como a migração para CDMA2000 se fundamenta em uma tecnologia comprovada e em capacidades já existentes, requer um mínimo de modificações na arquitetura de rede e incorpora componentes padrão do Protocolo de Internet (IP), a atualização resulta em uma enorme economia em comparação com as outras rotas de atualização tecnológica.

Os aparelhos atuais cdmaOne incorporam o padrão IP e as redes cdmaOne usam endereçamento IP, sem que seja preciso acrescentar uma camada adicional IP à camada de transporte de pacotes. Este projeto 2G resulta em um alto grau de compatibilidade retroativa e futura de hardware, à medida que as operadoras implementem serviços de transmissão dados a velocidades mais altas e evoluam para padrões 3G baseados em IP. A implantação de dados em pacote cdmaOne usa roteadores padrão, conhecidos como Função Inter-funcionamento (IWF) . Estes roteadores IWF são os mesmos utilizados na Internet a cabo. Se formos além da compatibilidade de plataformas até o desenvolvimento de aplicativos, os especialistas em programação para Internet poderão transferir este conhecimento para aplicações cdmaOne e CDMA2000. A incorporação de componentes padrão da indústria resulta em economia de custos, decorrente da menor necessidade de investimento de capital, da rápida implementação e da interoperabilidade com outras redes.

Quanto a investimento de capital, o padrão CDMA2000 gera enormes economias. A implementação 1X requer somente a atualizações dos Controladores da Estação Rádio-Base (BSC) e nas Estações Transceptoras-Base (BTS), não havendo necessidade de substituição do equipamento de infra-estrutura. Quanto a aparelhos de telefone, já se anunciam chips que suportam o padrão 1X e os aparelhos cdmaOne apresentarão compatibilidade retroativa e futura.

Os aparelhos 2G irão operar nas redes 3G e os aparelhos 3G funcionarão nas redes 2G. Esta transparência para os usuários e a capacidade de roaming contínua entre as plataformas 2G e 3G conferem às operadoras um alto grau de flexibilidade nos prazos de implementação e na efetiva utilização do recurso. Pode-se efetuar a atualização dos segmentos de rede, onde sejam necessários uma maior capacidade e maiores velocidades de transmissão de dados, sem que os demais segmentos, onde tal demanda inexista, também precisem ser atualizados. Quanto ao roaming nacional e internacional, não será preciso que uma operadora leve em consideração os planos de atualização das demais, para garantir o acesso a seu usuário CDMA2000 fora de sua área de serviço, pois o acesso à rede 2G sempre será efetuado.

A avaliação de todos os fatos comprova que o padrão CDMA2000 satisfaz os requerimentos das operadoras em relação à 3a geração. Os sistemas celulares anteriores foram avaliados em termos de 3 Cs: capacidade, cobertura e claridade. Com a migração para a 3a geração, será preciso expandir esta avaliação para cinco Cs, adicionando-se custo e compatibilidade ao modelo. Torna-se evidente que o padrão CDMA2000 abre um caminho de migração "racional".